Usando tecnologias de inteligência artificial (IA) capazes de “aprender” como tornar as rotinas fiscais mais eficientes, os contadores conseguem mais tempo para desempenhar o papel de conselheiros tributários de seus clientes e altos executivos. Para ilustrar, Rafael Scalia, gerente de parcerias e sucesso da Run2Biz, cita que um sistema de gestão de notas fiscais equipado com machine learning e big data analisa dados com maior rapidez e até antecipa os eventuais desdobramentos fiscais.
Digamos que a empresa se enquadra em determinada categoria de faturamento no Simples Nacional. Analisando a movimentação de emissões de notas fiscais, o sistema consegue estabelecer uma relação de faturamento muito antes de se atingir o limite da categoria. Se ele se mantiver no nível elevado de outros meses, logo será preciso reenquadrar o regime fiscal da empresa em um patamar acima. “Com uma máquina que está analisando e vendo os ganhos que o cliente tem conseguido, o contador já pode se preparar para recomendar ao cliente o melhor plano de desenquadramento da empresa”, explica.
Segundo ele, há quatro vantagens no uso de sistemas inteligentes:
1) Rotinas mais eficientes
Os sistemas de IA dão mais eficiência à jornada de atendimento do cliente, começando pelo cadastro. Em um sistema automatizado, as informações preenchidas no formulário são checadas em outros órgãos para verificar a conformidade dos dados. É possível criar integração com a base de dados de CNPJ da Receita Federal, por exemplo. “Não preciso deslocar uma pessoa apenas para ver se o número de CNPJ informado confere com o da Receita. A máquina pode fazer isso”, detalha.
2) Assistentes virtuais inteligentes
Que tal atender aos clientes fora do horário de serviço, sem a necessidade de ter um colaborador de plantão? Isso pode ser feito com chatbots (softwares capazes de dar o primeiro atendimento virtual e tiram dúvidas de clientes) integrados com IA. Essa primeira linha de contato pode estar munida de informações e conhecimento e vai responder cada vez melhor às demandas, com base na frequência de assuntos.
Os assistentes virtuais não eliminam a necessidade de se ter especialistas, mas podem responder a perguntas como datas de obrigações fiscais, abrir chamadas de serviço e informar o andamento de uma requisição. Também é possível receber informações de outros dispositivos, como a Alexa, assistente virtual da Amazon, por SMS ou o app Telegram, segundo Scalia. “Para isso, você tem que colocar as informações em um banco de dados que esses dispositivos podem acessar”, acrescenta.
3) Monitoramento operacional
Em caso de questionamentos legais, os sistemas inteligentes ajudam na apuração de informações. Pensando em uma queixa trabalhista movida por um ex-funcionário que trabalhava em home office, um sistema inteligente consegue coletar informações da jornada diária de trabalho de várias fontes, como ponto virtual, e comunicações trocadas com a empresa. “Por meio daquela própria integração entre relógio de ponto e o sistema da empresa, você descobre, com utilização de IA e cruzando os dados, se o funcionário entrou e saiu no horário de trabalho todos os dias”, de acordo com Scalia.
4) Segurança de dados
Para Scalia, a pior ameaça cibernética às empresas é o ransomware – um tipo de “vírus sequestrador” que, dentro do sistema da vítima, codifica os dados de forma que o usuário não tenha mais acesso. Para liberar os dados o sequestrador exige pagamento em moeda virtual, tornando o rastreamento quase impossível.
Um ataque cibernético normalmente é precedido por um volume incomum de processamento de dados, comportamento que pode ser detectado por módulos AIOP (sigla em inglês para Inteligência Artificial em Operações), explica Scalia. O que a IA pode fazer é identificar um servidor dentro da empresa que está fugindo do padrão de comportamento esperado e, nesse caso, uma solução AIOP congela a máquina em questão e separa da rede.
Se a infecção for comprovada, a máquina continuará isolada para não contaminar o sistema. “Posso, antes que aquela máquina esteja completamente criptografada, parar o seu processamento ou blindar alguns setores dela que impedem a operação de determinados setores dentro daquele servidor”, explica o executivo.
De acordo com Scalia, o grande mérito dos sistemas AIOPs é a previsibilidade das operações. Com isso, é possível criar ações preditivas e aumentar o nível de eficiência do negócio.
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